Gordos e felizes

 

Enquanto a mídia impõe modelos magros como padrão de beleza, muitas pessoas apostam na diferença e, atentas à saúde, assumem seus quilinhos a mais

Contrariados com a ditadura da magreza vigente há décadas no Brasil e no mundo, gordinhos e gordinhas rompem a barreira do medo e assumem a obesidade como estilo de vida. Os especialistas, no entanto, dizem serem poucos os que conseguem viver felizes com o excesso de peso. A maciça campanha da mídia de culto à boa forma é apontada por médicos e psicólogos como um dos principais motivos que levam essas pessoas à condição de seres "estranhos" e discriminados pela sociedade. Mas tem gente que consegue vencer o preconceito e mostrar que existem outras coisas a serem admiradas num indivíduo, que vão muito além de um corpo esbelto.

Com 125 quilos, distribuídos em 1,75 metro de altura, o empresário paulista Carlos Pimentel afirma ter nascido rechonchudo, pesando quase cinco quilos. Exceto um raro período na adolescência, quando chegou a emagrecer 35 quilos, Pimentel convive com excesso de peso desde pequeno. "Ser gordo não é vantagem nem desvantagem. É uma contingência da vida", afirma o empresário, que aprendeu a se aceitar numa viagem aos Estados Unidos. Lá, onde a obesidade atinge quase 50% da população, existe a preocupação, segundo Pimentel, com a inserção dos gordos na sociedade. "Nos EUA, existem grupos que trabalham a auto-estima dessas pessoas; revistas, lojas, produtos, enfim, uma infinidade de coisas são ofertadas no mercado para esse tipo de consumidor", ele afirma.

Mas, segundo o psiquiatra Marco Túlio de Aquino, os gordos são alvo de ataque naquele país. "Nos Estados Unidos, até profissionais da saúde consideram essas pessoas desajeitadas, feias e fracas. Num estudo feito nos Estados Unidos, 80% dos pacientes entrevistados, que foram submetidos à cirurgia de redução do estômago, declaram ter sido discriminados devido ao peso", revela o médico, que garante não ser a obesidade uma doença psiquiátrica. "Por ser obeso, o indivíduo não precisa necessariamente fazer terapia. O importante é trabalhar a auto-estima", ressalta.

Para conquistar esse estado de felicidade e bem-estar, os gorduchos do Brasil precisam vencer alguns obstáculos. Encontrar produtos e serviços na maior parte do País que atendam as suas necessidades não é nada fácil para os 16,5% da população brasileira de obesos. Quem circula por um shopping center, por exemplo, pode observar a escassez de lojas especializadas para esses consumidores.

 

Camila Baetta

Textto retirado so site www.saudeplena.com.br